O encerramento do serviço de urgência pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) nunca foi uma hipótese, esclareceu hoje o Conselho de Administração daquela unidade hospitalar do Alentejo.
“O Conselho de Administração (CA) vem, por este meio, esclarecer que, em tempo algum, foi colocada a hipótese de encerramento deste atendimento”, diz um comunicado do HESE enviado à agência Lusa.
O esclarecimento do CA remete novamente para o comunicado de 06 de outubro, no qual o HESE admitiu “constrangimentos de recursos humanos na equipa de urgência”, que levaram à adoção de “um novo modelo de atendimento” na Urgência Pediátrica para “garantir a assistência às crianças e jovens do Alentejo” e contrariar a falta de pediatras.
O CA refere que procurou, em articulação com a direção do Serviço de Pediatria, “uma solução para garantir este atendimento”, que passou pela tentativa “sem sucesso” de contratação de mais médicos pediatras e lembra que “a falta de recursos humanos de pediatria é um problema nacional”, a par com outras especialidades, que se torna “mais grave no interior do país”.
“Face à falta de outra solução, o CA propôs um modelo para que os atendimentos de urgências pediátricas se mantivessem e garantir a assistência às crianças e jovens do Alentejo, assegurando a qualidade, ou seja, um modelo com uma equipa de um pediatra e dois médicos com prática na área pediátrica, que entrou em vigor no dia 06 de outubro”, explica o HESE.
Fonte do HESE contactada nessa data pela Lusa precisou que, antes, o atendimento dos utentes no Serviço de Urgência Pediátrica (SUP) era “efetuado por dois pediatras e um médico de clínica geral”, passando agora a escala a ser assegurada por “um pediatra, dois médicos com treino em atendimento pediátrico e, quando necessário, um segundo pediatra”.
“A par desta realidade, o HESE confronta-se com uma situação conjuntural que agrava este quadro”, admite ainda o CA, confirmando que o hospital eborense “tem hoje 23 pediatras, na sua grande maioria em idade que permite a dispensa de realização de atendimento no SUP”.
Na segunda-feira, um manifesto subscrito por 21 pediatras do HESE, entre os quais o diretor do Serviço de Pediatria, Hélder Ornelas, advertia que atrás da “face mais visível do problema”, que se coloca no SUP, está escondido um maior, que é “a viabilidade da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais”.
Esta unidade “é suportada à custa de quatro pediatras fazerem urgência quando, pela sua idade, já não o deveriam fazer” e de “um que continua a assegurar turnos noturnos apesar de idade para dispensa”, restando quatro “cujo horário permite assegurar no total cinco períodos de 12 horas de urgência, dos 14 necessários”, alertaram os profissionais.
“Sem reforço de recursos humanos, a unidade pode fechar já a partir de 01 de novembro”, advertiram.
Face à carência de profissionais, o CA garante que “aumentar os recursos humanos do serviço de pediatria tem sido uma prioridade” e lembra que “entre 2017 e 2019 foram contratados cinco pediatras”.
O comunicado do HESE informa ainda que se encontram abertas “duas vagas carenciadas para a contratação de médico pediatra” no âmbito do Despacho n.º 7654-D/2020 dos Ministérios das Finanças e da Saúde que, reconhecendo uma assimetria geográfica na distribuição de médicos, “estabelece a pediatria de Évora como especialidade carenciada”.
Nesse sentido, os médicos que optem pelo HESE “podem contar com um incentivo fixado em 40% da remuneração base (durante três anos) e mais dois dias de férias”, além de poderem participar em atividades de investigação “pelo período máximo de 15 dias por ano, com direito a ajudas de custo e transporte, nos termos legais”.
Na semana passada, o HESE anunciou ter implementado temporariamente “um novo modelo de atendimento” no SUP para “garantir a assistência às crianças e jovens do Alentejo” e procurar contrariar a falta de pediatras.
O novo modelo, desenhado em articulação com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, “mantém o atendimento pediátrico urgente com um pediatra de presença física – continuando-se a recorrer a prestadores de serviços, se tal se revelar necessário – e com um ou dois médicos com treino pediátrico, que farão o primeiro atendimento”, revelou o hospital.
Além do manifesto assinado na segunda-feira por 21 pediatras do HESE e apoiado por 10 internos da mesma unidade hospitalar, o CDS-PP questionou o Governo, no mesmo dia, sobre “as graves carências de profissionais” no Serviço de Pediatria do hospital de Évora e alertou que a situação poderá “agravar, ainda mais, a prestação de cuidados de saúde com qualidade”.

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