A espécie humana é uma das espécies que mais impacto tem no ambiente natural. Porém, não é a única. Todas as espécies impactam os seus habitats, os pinheiros, por exemplo, têm a capacidade de acidificar o solo impedindo que outras espécies de plantas se estabeleçam na sua proximidade e lhes “roubem” água ou recursos. Há cerca de 2.4 mil milhões de anos um grupo chamado cianobactérias  libertou, ao longo de milhões anos, grandes quantidades de oxigénio para atmosfera em consequência da fotossíntese. O oxigénio é tóxico para a maioria dos organismos unicelulares que existiam naquela altura. A acção das cianobactérias levou à extinção de inúmeras formas de vida e criou condições para a Vida poder colonizar o ambiente terrestre, uma vez que até então estava cingida aos ocenos.

Todavia, não podemos negar que apesar de não sermos a única espécie com impactos negativos à escala global, os nossos impactos são os mais rápidos a fazer-se sentir.

O que estou a tentar chamar à atenção é que impactos negativos não são algo exclusivamete Nossos e que poucas serão as actividades humanas (prestações de serviços deverão ser a excepção)  que não tenham um impacto nos ecossistemas e no planeta. O simples facto de construir uma casa tem impactos. Os materiais que usamos (cimento, tijolos, madeira, etc.) são o produto de cimenteiras, pedreiras e desflorestação, mas não podemos deixar de fazer casas.

Nos últimos anos a transição energética tem ocupado as agendas políticas. Principalmente na Europa, com a formalização do Green Deal a comissão Europeia, na voz da sua presidente Ursula von der Leyen, ambiciona a neutralidade carbónica em 2050, ou seja, a não emissão de gases com efeito de estufa. A neutralidade carbónica vai ter um enorme impacto em imensas industrias e economias, mas existem três actividades que serão das mais afetadas por esta alvorada energética: a extração de petróleo, gás natural e minérios.

O cerne da transição energética é precisamente acabar com os combustíveis fósseis como o petróleo, o gás natural e o carvão. Logicamente é expectável que a industria petrolífera seja a mais afetada negativamente. O esperado é que numa primeira fase diminuirá o uso de petróleo como fonte de energia para máquinas ou aquecimento e que se diminua a utilização de produtos provenientes do petróleo como os plásticos e numa segunda fase a substituição dos combustíveis. De uma forma ou de outra as petrolíferas privadas ou publicas estão condenadas, e pessoalmente acho que elas próprias têm essa noção.

O gás natural também vai diminuir mas de forma mais lenta. Apesar do seu componente principal, o metano, ser um gás com efeito de estufa mais forte (e, portanto mais prejudicial) do que o dióxido de carbono, liberta muito menos dióxido de carbono. Extrações e centrais de gás natural que adotem processos mais limpos tenderão a permanecer centrais, pelo menos por agora.

A industria mineira, vai necessariamente mudar. O carvão vai perder importância à medida que for substituído por fontes de energia mais limpas. Ao mudarmos os processos de fabrico, também mudaremos a necessidade das economias por alguns materiais. Outros materiais como o alumínio ou o lítio vão ser mais procurados por serem utiliados na produção de hidrogénio como combustvel e nas baterias para carros elétricos, respectivamente, fundamentais para a transição energética.

Os impactos humanos no ambiente são inevitáveis mas mitigáveis, podemos e devemos alterar as nossas fontes de energia e mas não vamos deixar de produzi-la. Estas novas fontes de energia também terão impactos, alguns deles ainda não são precetíveis, da mesma forma que os impactos dos combustíveis fosseis não o eram no iniício da sua utilização. Não podemos deixar de fazer minas para extrair materiais que precisamos (como por exemplo as minas de litio projetadas no norte do país) nem de cortar árvores para termos madeira (como as plantações de eucaliptos e pinheiro), devemos sim evitar que estas actividades ocorram em áreas protegidas e que adotem processos de produção e transformação dos materiais que sejam menos prejudiciais do que aqueles que são hoje utilizados.

Uma das partes mais importantes do Green Deal, e que sinto que muitas vezes é esquecida é um dos seus pilares que diz “nenhuma pessoa e nenhum local vai ser deixado para trás”. Isto significa que não podemos diminuir a qualidade de vida de ninguém nem de nenhum local mesmo que o designio seja a transição energética.

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