O projeto luso-brasileiro que vai desenvolver, fabricar e operar uma aeronave ligeira integralmente feita em Portugal, a partir do Alentejo, prevê comercializar o primeiro avião “no final de 2025 ou início de 2026”, revelaram hoje os promotores.
O Programa ATL-100, o primeiro programa aeronáutico completo de Portugal, “prevê quatro protótipos” da nova aeronave ligeira que vai ser construída, sendo que a “planificação prevê que o ‘roll-out’ do primeiro aconteça no final de 2023”, disse hoje Miguel Braga, diretor do CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto.
Em declarações aos jornalistas, após a apresentação do projeto em Évora, o mesmo responsável avançou que, se tudo correr como o previsto, a primeira aeronave de série pode “sair daqui para o cliente final e para o mercado no final de 2025” ou “no início de 2026”.
O Programa ATL-100, para desenvolver, fabricar e operar uma nova aeronave ligeira, resulta de uma ‘joint’venture’ entre o CEiiA e a empresa brasileira DESAER, fundada por antigos quadros da construtora aeronáutica Embraer, também do Brasil.
O projeto, apresentado hoje no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora, onde o CEiiA tem escritórios e onde vai ser feita a fase de desenvolvimento da aeronave, tem um cronograma de desenvolvimento “a cinco anos” e estima criar cerca de 1.200 empregos qualificados diretos na região do Alentejo, de acordo com os promotores.
O programa, que prevê o envolvimento de “mais de 30 empresas e universidades nacionais e internacionais, nomeadamente ligadas aos programas como o MIT”, envolve um investimento global estimado na ordem dos “164 milhões de dólares”, ou seja, à volta de 140 milhões de euros, afirmou hoje o diretor do CEiiA.
Este investimento, “como já está a ter nesta fase inicial”, conta com financiamento de fundos comunitários, nomeadamente através do programa operacional regional Alentejo 2020, “mas a grande fatia” do montante “vai ser assegurada pela DESAER e pelo CEiiA e, numa segunda linha, por investidores”, sobretudo internacionais.
“Os 20 milhões de euros que temos neste momento é para a fase de desenvolvimento que vai acontecer” em Évora, onde o objetivo passa por “ter 50 engenheiros a trabalhar em permanência e dedicados em exclusivo ao desenvolvimento do programa até ao final do ano”, adiantou Miguel Braga.
Quanto à localização da fábrica onde vai ser construída a aeronave, os promotores avançam que estão em cima da mesa duas opções, Beja, onde existe um aeroporto, ou Ponte de Sor, que tem o aeródromo.
“É inevitável olharmos para Beja, é ainda mais inevitável olharmos para Ponte de Sor” porque “conhecemos muito bem o projeto que a Câmara de Ponte de Sor tem posto a funcionar, ao longo dos anos, em redor do seu aeródromo”, afiançou Miguel Braga, referindo que a fábrica e a linha de montagem final têm de ficar “em cima de uma pista” e com “as condições técnicas para este tipo de aeronave”.
A ATL-100 é uma aeronave “de transporte leve, para operar em pistas com condições não muito exigentes, com um alcance de 1.600 quilómetros”, e que poderá “transportar até 19 passageiros”, mas que “em duas horas pode ser transformada”, passando para carga ou vice-versa, sendo “uma alternativa para zonas menos desenvolvidas do ponto de vista de infraestruturas, em África ou na América do Sul”.

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