O processo relativo à derrocada da estrada em Borba, ocorrida em 2018, vai entrar em instrução, depois de cinco dos oito arguidos terem pedido a abertura desta fase processual, revelou fonte judicial.
Questionado pela agência Lusa, o juiz de instrução criminal de Évora indicou que cinco dos oito arguidos entregaram um requerimento de abertura de instrução (fase facultativa em que um juiz decide se o processo segue para julgamento).
Numa resposta por correio electrónico a questões colocadas pela Lusa, o magistrado titular do processo precisou que a abertura da instrução foi requerida pelos autarcas António Anselmo e Joaquim Espanhol, presidente e vice-presidente do município, respectivamente.
O antigo director regional de Economia do Alentejo, João Filipe de Jesus, a funcionária da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), Maria João Figueira, e Paulo Alves, responsável técnico da empresa que possui a licença de exploração da pedreira, foram outros dos acusados que requereram abertura da instrução, acrescentou.
O juiz sublinhou que as diligências instrutórias serão agendadas “em momento próprio” e que “apenas a realização do debate instrutório terá assistência de público em geral”.
Os restantes arguidos são a sociedade Ala de Almeida Limitada, que possui a licença de exploração da pedreira, e outros dois funcionários da DGEG, José Pereira e Bernardino Piteira.
A constituição dos arguidos foi divulgada, em Fevereiro deste ano, pelo Ministério Público (MP) através de um comunicado publicado na página de Internet do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Évora.
No comunicado, o MP referiu que, “no âmbito do inquérito instaurado com vista a apurar as circunstâncias que rodearam o colapso” da Estrada Municipal (EM) 255, ocorrido em Novembro de 2018, deduziu acusação contra oito arguidos, de entre os quais uma pessoa colectiva.
O MP, “requerendo o julgamento por tribunal colectivo”, imputa aos oito arguidos “a prática de vários crimes de homicídio e de violação de regras de segurança”.
“De acordo com a acusação, a responsabilidade penal de cada arguido decorre, respectivamente, das concretas funções que cada um assumiu e desempenhou ao longo do tempo e cujas acções ou omissões contribuíram para as consequências dali resultantes”, nomeadamente “a morte de cinco pessoas”, podia ler-se no comunicado.
O inquérito foi dirigido pela 1.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal Regional de Évora, que foi coadjuvado pela Unidade Local de Investigação Criminal de Évora da Polícia Judiciária (PJ).
Na tarde de 19 de Novembro de 2018, um troço de cerca de 100 metros da EM 255, entre Borba e Vila Viçosa, colapsou, devido ao deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra para o interior de duas pedreiras.
O acidente causou a morte de dois operários de uma empresa de extracção de mármore na pedreira que estava activa e de outros três homens, ocupantes de duas viaturas automóveis que seguiam no troço da estrada e que caíram para o plano de água da pedreira sem actividade.
À margem do processo judicial, os 19 familiares e herdeiros das vítimas mortais da derrocada receberam indemnizações do Estado, num montante global de cerca de 1,6 milhões de euros, cujas ordens de transferência foram concluídas no final de Junho do ano passado.

SYM // ROC
Lusa

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Actual

Veja também

Portugal regista mais oito mortos e 825 infectados. Alentejo com três novos casos

Portugal contabiliza hoje mais oito mortos relacionados com a covid-19 e 825 novos casos d…