As autoridades estão a avaliar os 29 idosos com covid-19 de um lar ilegal, situado na periferia de Évora, e as condições da instituição para decidir sobre uma eventual evacuação do espaço, revelou hoje o presidente do município.
“Está a ser feita uma avaliação por parte da Saúde Pública à situação de cada um dos utentes, se há condições ou não no lar e se terá de haver uma evacuação”, afirmou o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.
O autarca, que falava aos jornalistas no final de uma reunião da Subcomissão de Saúde da Proteção Civil Municipal, indicou que as autoridades estão a “avaliar locais” para onde possam eventualmente ser transferidos os utentes do lar.
Uma decisão “provavelmente só será tomada hoje ao final da tarde ou amanhã [domingo]”, adiantou, referindo que há “vários espaços”, como “uma residência da Universidade de Évora e um pavilhão, que estão em condições de receber os idosos”.
Segundo Carlos Pinto de Sá, a avaliação “caso a caso” do estado de saúde dos utentes está a ser feita por médicos do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central, uma vez que “nalguns casos não havia história clínica”.
O primeiro caso positivo de covid-19 detetado no lar é o de um idoso que foi transportado na quinta-feira para o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), tendo feito o teste, que deu resultado positivo.
Na sexta-feira, foram realizados testes aos restantes utentes e a todos os funcionários do lar, os quais, segundo informou esta manhã a câmara municipal, resultaram em 39 positivos, nomeadamente 29 idosos e 10 trabalhadores.
De acordo com o autarca, o lar, que tem 29 utentes e 12 funcionários, está ilegal porque se localiza numa zona da cidade cujo plano de urbanização não permite a instalação deste tipo de instituições.
Hoje, o presidente da Câmara de Évora disse que dois dos utentes do lar estão internados em enfermaria no HESE e que “70 anos é a idade média das pessoas” que estão na instituição.
Pinto de Sá adiantou que “a Segurança Social acionou um protocolo com a Cruz Vermelha para tentar suprir as necessidades” de pessoal para cuidar dos utentes, lembrando que os funcionários do lar “estão todos infetados”.
“Não vai ser fácil e, por isso, é uma situação que estamos a acompanhar hora a hora para garantir que seja possível essa substituição, que é essencial”, sublinhou.
O autarca notou que a Autoridade de Saúde Pública está a fazer o acompanhamento de todos os contactos que existiram com os infetados e que “nos próximos dias próximos dias serão feitas dezenas ou mesmo centenas de testes”.
“Vamos esperar que não haja contágio comunitário. Neste momento, não temos indicações que possa haver contágio comunitário, mas é um risco real face à situação que temos”, assinalou.
Questionado sobre a situação de ilegalidade do lar, o autarca respondeu que a questão “vai estar em cima da mesa”, mas agora “não é a prioridade” e que as autoridades estão focadas “na resposta aos idosos”.
“A Segurança Social tinha conhecimento do lar e tinha contactos. A própria câmara teve por parte da proprietária um contacto, há uns tempos atrás, a manifestar vontade de legalizar o lar”, acrescentou.

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