O investigador da Universidade de Évora Ricardo Agarez ganhou uma bolsa de 1,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para estudar formas de colocar a história da arquitetura ao serviço da resiliência e sustentabilidade das comunidades.
O arquiteto e historiador da arquitetura e cidades, que é professor no Departamento de Arquitetura da Universidade de Évora (UÉ), obteve uma ‘Starting Grant’ (bolsa de início de carreira) do Conselho Europeu de Investigação (ERC), anunciou a academia alentejana.
A bolsa, no valor de 1.499.613,75 euros, é “uma das seis concedidas nesta edição a investigadores baseados em Portugal” e “uma de três atribuídas, a nível europeu, a projetos no domínio da história da arquitetura e do ambiente construído”, disse a UÉ.
“Esta é ainda a primeira vez que o ERC financia um projeto neste domínio em Portugal”, em qualquer dos seus programas de bolsas, e é “o primeiro projeto” premiado pelo ERC em que a UÉ “é a instituição de acolhimento”, congratulou-se a academia.
Em relação a Portugal, além de Ricardo Agarez, as ‘Starting Grants’ do ERC, consultou a agência Lusa na página de Internet do organismo, foram atribuídas nesta edição ao psiquiatra e neurocientista Albino Oliveira-Maia, do Centro Champalimaud, ao investigador Elias Barriga, do Instituto Gulbenkian de Ciência, aos cientistas Paulo Rocha e Bárbara Gomes, da Universidade de Coimbra, e à investigadora Sónia Cruz, da Universidade de Aveiro.
No caso do investigador do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da UÉ, a bolsa visa apoiar um projeto do qual é o responsável, a desenvolver ao longo de cinco anos por uma equipa internacional, para “estudar formas de colocar a história da arquitetura ao serviço da resiliência e sustentabilidade das comunidades”.
O ReARQ.IB “O Ambiente Construído como Suporte de Comunidades Resilientes e Sustentáveis: (Re)Conhecer a Arquitetura e o Desenho Urbano do Quotidiano na Península Ibérica (1939-1985)” pretende compreender a arquitetura que “dá forma ao nosso quotidiano” e “poder às nossas comunidades”, explicou a UÉ.
Esta compreensão permite às comunidades “tomar decisões informadas sobre o que manter, reutilizar e substituir” e “sobre como atualizar e aperfeiçoar os seus edifícios”, realçou a universidade.
“Num contexto em que os recursos materiais e económicos disponíveis são cada vez mais escassos e têm de ser racionalmente utilizados, a readequação e revalorização de edifícios existentes é uma prioridade” face “à construção nova”, disse.
“O projeto reconcilia comunidades em Espanha e Portugal com a sua ‘arquitetura de proximidade’”, ou seja, “estruturas, conjuntos e bairros normalmente excluídos das histórias canónicas, perto do nosso dia-a-dia, mas longe do nosso pensamento”, pode ler-se no comunicado da universidade.
Ao mesmo tempo que “a arquitetura contemporânea publicada é celebrada nos círculos profissionais de ambos os países, e mesmo por vezes publicamente reconhecida, as comunidades locais espalhadas pela Península Ibérica, incluindo muitos arquitetos, continuam a conhecer mal o seu próprio contexto edificado”.
“Com uma atenção especial a edifícios de uso público e residencial, o projeto integrará informação detalhada e reflexão crítica em apoio de medidas de gestão e intervenção, desenvolvendo em paralelo o conhecimento científico e histórico sobre a arquitetura e o espaço urbano do nosso quotidiano”, como “suporte da participação das comunidades na gestão do seu ambiente construído, reforçando a sua resiliência e sustentabilidade”, frisou a UÉ.
O Conselho Europeu de Investigação, criado em 2007, é a principal organização europeia de financiamento de investigação avançada de excelência.
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