Um estudo que envolveu sete países europeus revela que Portugal é onde existe uma maior preocupação com o impacto da pandemia na economia e na saúde, com 67% dos portugueses a manifestarem-se “muito preocupados” com esta situação.
A faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (Nova SBE), num projecto de cooperação com a Universidade de Hamburgo, a Rotterdam Erasmus University e a Bocconi University, realizou um estudo ‘online’ em “larga escala” para perceber como a população europeia olha para a pandemia e até que ponto confia nas decisões dos responsáveis políticos.
O estudo ‘online’ decorreu em duas fases e abrangeu, em cada uma delas, mais de 7.000 participantes de sete países europeus (Alemanha, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido) tendo em conta a região, idade, género e educação.
Entre a primeira vaga de inquéritos, que decorreu entre 2 e 15 de Abril de 2020, e a segunda, realizada entre 9 e 22 de Junho, os portugueses estão agora menos preocupados com o impacto da pandemia na economia e saúde (com excepção dos Açores), mas as preocupações com as suas consequências permanecem altas.
Entre os países europeus envolvidos no estudo, Portugal é onde existe uma maior preocupação com o impacto da pandemia, com 67% dos portugueses a manifestarem-se “muito preocupados com a eventual sobrecarga do sistema de saúde ou temem perder uma pessoa próxima”, enquanto que na Europa a percentagem varia entre 23% e 60%.
Quanto às preocupações económicas, 78% dos portugueses mostram-se receosos quanto à perda de negócios das pequenas empresas (contra 36-71% noutros países da UE) e 57% dos portugueses temem ficar desempregados (contra 13-51% em outros países da UE).
O estudo focou-se ainda em perceber o grau de aprovação ou desaprovação de medidas políticas adoptadas (ou que provavelmente serão tomadas) pelos governos nacionais para combater o surto de covid-19.
Em particular, foram abordados tópicos como encerramento de escolas, proibição de ajuntamentos, fecho de fronteiras, proibição de exportação de equipamentos médicos, multas por violação de quarentena, verificações aleatórias de temperatura, recolher obrigatório, suspensão de transporte público e utilização de dados móveis para monitorizar os casos de infecção.
Comparando com os resultados da primeira fase do estudo, a percentagem de portugueses que aprovam políticas de contenção diminuiu de 79% para 67%, enquanto que o número de entrevistados indiferentes aumentou em 10 pontos percentuais.
Ainda assim, o apoio das pessoas às políticas de contenção em Portugal ainda é o mais alto da Europa (de entre os países cobertos pela pesquisa).
Quanto às medidas, 47% dos portugueses desaprovam o levantamento das restrições nas fronteiras na UE e 35% revelam-se contra a instalação de uma aplicação de rastreamento covid-19 no seu telefone.
Esta desaprovação tende a ser mais reprovada por pessoas com nível de educação superior (40% contra), refere a investigação da Nova BSE.
O estudo revela ainda que para 37% dos portugueses o desconfinamento está a acontecer muito rapidamente.
“Em toda a Europa, há uma tendência para muitas pessoas sentirem que o relaxamento das restrições esteja a acontecer de forma muito rápida e segundo esta pesquisa Portugal não é excepção com 37% das pessoas a partilharem desta visão, em particular os que residem nas regiões do Alentejo, Lisboa e Centro do país”, sublinham os investigadores da Nova SBE.
Em termos de faixas etárias e género, são os mais novos que percepcionam como muito rápido o levantamento das restrições, assim como as mulheres (42% das mulheres contra 31% dos homens).
Em contrapartida, 10% das pessoas em Portugal consideram que o retorno à normalidade está a acontecer muito lentamente.
Nesta segunda vaga da pesquisa os inquiridos foram também questionados quando aos locais onde se sentem mais protegidos. O maior cepticismo é encontrado em relação a locais religiosos e academias de ‘fitness’, enquanto a visita ao médico causa a menor preocupação, seguida supermercados, restaurantes e cabeleireiros.

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