A Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo (APORMOR) repudiou hoje a alegada “intenção do Governo de criar uma direcção-geral dependente do Ministério do Ambiente para a sanidade e bem-estar animal”.“A APORMOR associa-se a todas as organizações que já manifestaram o repúdio pela intenção do Governo de criar uma Direcção-Geral dependente do Ministério do Ambiente para o bem-estar dos animais de companhia, satisfazendo, parcialmente, uma exigência de um dos seus apoiantes, o PAN”, pode ler-se num comunicado divulgado hoje.Para a organização agrícola deste concelho do distrito de Évora, que tem cerca de 200 associados, esta alegada intenção satisfaz em parte o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) porque “este partido político exige que também os animais de produção sejam abrangidos”.“O mundo rural mobilizou-se, quase em uníssono, contra esta intenção de tirar aos técnicos da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a gestão do bem-estar animal e entregá-la aos políticos”, argumentou a APORMOR, cujos associados detêm perto de 60 mil hectares de área de pastoreio.Neste caso, enfatizou, para a entregar “a pessoas que, dizendo-se defensores dos animais e da natureza, são as que mais atentam contra as leis naturais que têm garantido, ao longo dos séculos, a coexistência entre as espécies animais, incluindo a humana”.“E esta vida em comum na natureza tem tido, nas últimas décadas, o apoio indispensável da DGAV e das Direcções-Gerais que a antecederam, não só na sanidade animal, mas também na aplicação de regras de bem-estar animal”, destacou.A DGAV, “apesar da intenção deliberada por parte da tutela”, do Ministério da Agricultura, “de a ir desactivando, não substituindo os funcionários que se reformam, nem dotando os que restam com os meios mínimos necessários”, dispõe “ainda de técnicos e outros funcionários que fazem milagres para que a saúde pública e animal sejam asseguradas”.O “protesto genuíno do sector, contrariando o habitual alheamento de tudo quanto se passa na política, só demonstra o quanto atentatórias para o mundo rural” são “estas novas ideias que partem de grupos urbanos muito activos”, frisou o comunicado.“A cedência a estes grupos só tem agravado as situações. Quando se quer mexer num problema, a norma tem sido agravá-lo”, criticou a APORMOR, sublinhando que, “a seguir aos animais de companhia, virão os animais de produção e o desmantelamento da DGAV”, mas deixando uma promessa: “Por nós, não passarão”.Na última quinta-feira, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, anunciou que os animais de companhia vão deixar de estar sob a alçada da DGAV e passar para a tutela do Ministério do Ambiente.O anúncio foi feito na audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar, sobre a morte de 75 animais nos abrigos ilegais ‘Cantinho das Quatro Patas’ e ‘Abrigo de Paredes’, na serra da Agrela, concelho de Santo Tirso, na sequência do incêndio no fim de semana de 18 e 19 de Julho.Numa visita à Herdade Vale da Rosa, no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja), na sexta-feira, a ministra disse que o Governo está a estudar a passagem da tutela dos animais domésticos para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ou para outro organismo do Ambiente.O PAN já anunciou que vai propor a criação de uma direcção-geral autónoma para a protecção e bem-estar animal, que assim deixaria a tutela da DGAV, uma opção logo criticada pela Associação Nacional de Engordadores de Bovinos (ANEB).
RRL (SYM/AYR/JGS) // MLMLusa

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