O Governo definiu uma Zona Especial de Protecção (ZEP) para o Cromeleque dos Almendres, no concelho de Évora, um dos mais relevantes monumentos do megalitismo europeu e o maior conjunto de menires estruturados da Península Ibérica.A portaria governamental, assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira, foi publicada em Diário da República (DR), consultado pela agência Lusa.O diploma define uma ZEP que “tem como fundamento assegurar o enquadramento paisagístico do sítio classificado” como Monumento Nacional “e as perspectivas da sua contemplação”, pode ler-se.Segundo a portaria, “tendo em vista a necessidade de proteger a envolvente do imóvel classificado, são fixadas restrições”, propostas pela Direcção-Geral do Património Cultural, em articulação com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, as quais não suscitaram observações da parte da Câmara de Évora e obtiveram favorável do Conselho Nacional de Cultura.As restrições incluem a criação de uma área de sensibilidade arqueológica, “correspondente a toda a ZEP”, que implica a necessidade da adopção de medidas preventivas de salvaguarda e de acompanhamento arqueológico no caso de alterações do uso do solo e do coberto vegetal.O Governo define ainda que “bens imóveis ou grupos de bens imóveis devem ser preservados”.As edificações de cariz rural já existentes “devem ser preservadas, respeitando a sua natureza e a estrutura construtiva”, pode ler-se na portaria.Situado na Herdade dos Almendres, na União das Freguesias de Nossa Senhora da Tourega e Nossa Senhora de Guadalupe, este cromeleque “é o mais notável exemplo das primeiras arquitecturas megalíticas, remontando provavelmente ao neolítico médio”, é destacado no diploma.O sítio classificado corresponde “às mais antigas construções colectivas sagradas deste período” e apresenta “possível significado astronómico”, pode ler-se.Neste monumento, “destacam-se a sua dimensão, ainda com 95 monólitos, a presença de gravuras em alguns deles, o seu bom estado de conservação e o facto de se tratar do maior conjunto de menires estruturados de toda a Península Ibérica e um dos mais relevantes do Megalitismo Europeu”, é assinalado.Na sexta-feira, o Cromeleque dos Almendres é, precisamente, um dos “palcos” escolhidos pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo para apresentar a “Rota do Megalitismo”.Em comunicado, a Turismo do Alentejo explicou que vai apresentar esta nova rota na Anta-Capela em São Brissos, em Montemor-o-Novo, às 10:00, e, duras horas depois, no Cromeleque dos Almendres, em Évora.Integrada no projecto “Rotas do Touring Cultural do Alentejo e Ribatejo”, estes percursos transportam os turistas e visitantes até aos diversos locais com menires, cromeleques ou dólmenes no Alentejo e Ribatejo, regiões que, a par com a Bretanha (França), possuem a “maior densidade e variedade de vestígios e monumentos megalíticos”.
RRL // MLMLusa

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