A edição deste ano da Feira de S. João, em Évora, que estava prevista decorrer entre 19 e 29 de junho, foi cancelada, devido à pandemia da covid-19, disse hoje à agência Lusa o presidente do município.”Entendemos que não há condições para realizar a Feira de S. João nas datas que estão previstas”, mas “admitimos vir a ter um outro evento, a realizar mais tarde”, afirmou o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.O autarca alentejano indicou que o cancelamento da feira, que historicamente inclui os festejos locais do S. João e do S. Pedro (padroeiro da cidade), foi votado na mais recente reunião de câmara, realizada por videoconferência, tendo a proposta sido aprovada por unanimidade.Organizado pela câmara em parceria com várias instituições, o certame, um dos mais antigos e tradicionais da região, com quase 500 anos, realiza-se, anualmente, na segunda quinzena de junho, no Rossio de São Brás, localizado às portas do centro histórico.Citando os arquivos municipais, Pinto de Sá notou que a Feira de S. João “só não se realizou duas vezes”, ao longo dos seus quase 500 anos, nomeadamente “em 1680, devido à peste em Espanha”, e “em 1707, por causa da instabilidade política e de guerra no país”.O presidente do município justificou o cancelamento do evento com “a situação pandémica” covid-19, sublinhando que “não há garantias de que naquela data existam possibilidades de se realizar um evento que junte milhares de pessoas”.”Há o perigo, mesmo estando a situação mais desanuviada, como todos queremos, de haver ainda problemas de contágio”, assinalou, indicando, por outro lado, que, após sondagens do município, “as empresas não garantem o fornecimento de bens e serviços para a feira”.O autarca indicou também que a câmara municipal “não tem disponibilidade suficiente de mão de obras” para a montagem da feira, tendo em conta que os trabalhadores do município “estão a trabalhar em rotatividade para garantir que o contágio será mais difícil”.Pinto de Sá considerou que “não faz sentido” realizar a Feira de S. João “noutras datas”, por ser um “evento histórico”, admitindo a possibilidade de a autarquia organizar “um outro evento numa outra altura”.O eventual novo evento, disse, “não substitui a feira”, mas, pelo menos, permite que “haja uma nota” sobre o histórico certame e possa ajudar “um conjunto de associações locais que aproveitam a feira para realizar receitas para a sua atividade anual”.Criada por alvará de D. Sebastião, a feira realizou-se pela primeira vez a 24 de junho de 1569.

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