Os dirigentes das 23 entidades da Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças (RIET) decidiram hoje por unanimidade exercer “toda a pressão política, social e económica” sobre os governos português e espanhol na defesa do Corredor ferroviário do Atlântico.“A intenção da RIET é trabalhar conjuntamente com os Conselho Económicos e Sociais de toda a fronteira para promover este ‘lobby’”, afirma a organização em comunicado, após uma reunião realizada hoje, em Leiria, referindo-se ao Corredor Atlântico, linha ferroviária que liga o porto de Aveiro, em Portugal, a França, e em relação ao qual a Comissão Europeia aprovou, em 2018, incluir a linha ferroviária galega entre A Corunha e Palencia. A RIET exige o “cumprimento dos prazos previstos pela Comissão Europeia” sobre o Corredor, que classifica como “determinante para a competitividade e crescimento da faixa atlântica” e para “a coesão da Península Ibérica”, notando que esta pode “ser seriamente afetada se for dada prioridade ao [corredor] Mediterrâneo”.“A RIET, embora entenda as legítimas reivindicações dos dirigentes sociais, económicos e políticos do Mediterrâneo, recorda que tanto o governo de Portugal, e sobretudo o espanhol, são governos de todos e não apenas de uma parte”, alerta.De acordo com a RIET, no caso português tal “não apresenta problemas, já que tudo é Atlântico”.“Mas, no caso espanhol apresenta problemas que afetaria uma parte importante de Espanha e também de Portugal, país que, aliás, senta na mesa da Comissão Europeia a comissária responsável dos fundos estruturais e de coesão”, observam.Na reunião de hoje, de acordo com o comunicado, os dirigentes das 23 entidades que representam a totalidade da fronteira luso-espanhola na RIET reuniram-se numa Assembleia-Geral que contou com a presença da secretária de Estado da Valorização do Interior de Portugal, Isabel Ferreira.A vontade unânime dos presentes foi no sentido de “toda a faixa atlântica ibérica integrada por Portugal, Galiza e as regiões fronteiriças espanholas com Portugal, cujo acesso ao mar são os portos portugueses”, defender perante “os dois governos a construção do Corredor Atlântico e o cumprimento dos prazos previstos pela Comissão Europeia”.No âmbito da pressão política, social e económica a favor do Corredor Atlântico, na segunda-feira realizou-se “uma reunião prévia à assembleia-geral, com María Mercedes Vaquera Mosquero, presidente do Conselho Económico e Social de Extremadura, que por sua vez é vice-presidente da Rede Transnacional Atlântica, uma plataforma de cooperação da sociedade civil dentro do Espaço Atlântico”.A RIET é um projeto nascido em 2009, constituído por mais de 20 entidades, nomeadamente organizações municipais, empresariais e educativas perto da fronteira de Espanha e Portugal.Em junho de 2018, a Comissão Europeia aprovou a inclusão da linha ferroviária galega entre A Corunha e Palencia no Corredor Atlântico que liga o porto de Aveiro a França.Na ocasião, o Eixo Atlântico, que congrega 38 municípios portugueses e galegos, destacou a importância da decisão “na competitividade dos portos galegos, que podem fazer chegar as suas mercadorias a toda a Europa em tempos competitivos, mas também no impulso económico que chegará ao interior da Galiza, área com grandes problemas demográficos pela falta de investimentos e do movimento económico”.“A partir de 2021, ano em que entra em vigor um novo programa de fundos europeus, o governo espanhol já poderá solicitar o cofinanciamento das obras, com a condição de que estejam concluídas até 2030”, acrescentou o Eixo.A decisão de junho de 2018 surgiu após um reunião de maio, entre o Eixo Atlântico o coordenador europeu da rede Transeuropeia de Transportes, Carlo Secchi, “para defender a inclusão” daquela ligação ferroviária no Corredor Atlântico.O Corredor Atlântico, originalmente denominado como Corredor de Mercadorias n.º 4, é constituído por troços da infraestrutura ferroviária existente e planeada entre Sines/Setúbal/Lisboa/Aveiro/Leixões – Algeciras/Madrid/Bilbao/Saragoça – Bordéus/La Rochelle/Nantes/Paris/Le Havre/Metz/Strasburgo – Mannheim, transpondo as fronteiras em Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro, Elvas/Badajoz, Irun/Hendaye e Forbach/Saarbrücken.A sua gestão está a cargo de um Agrupamento Europeu de Interesse Económico (AEIE) integrada pela Infraestruturas de Portugal, Adif, SNCF Réseau e DB Netz.
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