Os trabalhadores dos mármores juntam-se no sábado, em Bencatel, com a presença do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, para reivindicar melhores salários e condições de trabalho, numa altura em que regressa o debate sobre a segurança nas pedreiras.Em declarações à Lusa, Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom), explicou que “as principais queixas [no sector] têm a ver com baixos salários e com as próprias condições de trabalho”, sendo “um sector que precisa de rejuvenescer, de mais investimento, de melhores condições a todos os níveis”.A dirigente sindical referiu que “há um ‘stress’ térmico muito elevado nas pedreiras, nomeadamente para quem trabalha no fundo da pedreira”.“São espaços que chegam a atingir os 50 graus no Verão e no Inverno é um gelo porque é tudo pedra”, ilustrou.Fátima Messias pediu “um investimento global”, que inclua os equipamentos de trabalho, e que se reavaliem as pausas necessárias a quem trabalha nestas circunstâncias.A federação acusa as associações do sector de recusar negociações salariais.Segundo a dirigente, os valores “pouco estão acima do salário mínimo nacional”, quando há alguns anos chegavam a ser superiores em 300 euros.“Este bloqueio negocial patronal o que tem feito é empobrecer os trabalhadores deste sector”, lamentou Fátima Messias, garantindo que não foram criados investimentos “da parte das empresas para melhores condições de segurança, saúde e ambiente nas pedreiras”.A dirigente pede ainda mais acção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).“Há que averiguar o que se passa nos locais de trabalho, a trabalharem em pleno e nas condições normais”, salientou Fátima Messias. O sector dos mármores tem, na sua maioria, contratos de trabalho sem termo, de acordo a coordenadora da Feviccom.“Os direitos do contrato actual estão a ser postos em causa pelas empresas, como as diuturnidades, que é uma forma de recompensar a experiência, a competência, saberes, antiguidade. Isso está a ser posto em causa pelas associações do sector”, referiu.O sector das pedreiras contava, em 2018, com quase 680 trabalhadores, segundo informação prestada pela federação, com dados da Direção Geral de Energia e Geologia.No sector transformação de pedra eram, no ano passado, mais de 5.500.

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