A União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA) manifestou-se hoje contra municipalização da Educação e acusou a presidente da Câmara de Nisa (Portalegre) de condicionar a atividade sindical, mas a autarca socialista refuta as críticas.“Nós estamos contra a municipalização, contra todo o processo, mas aqui em Nisa isto tem pormenores particularmente escandalosos”, disse a coordenadora da USNA, Helena Neves.Falando à agência Lusa em Nisa, à margem de uma concentração em defesa das liberdades, direitos e garantias constitucionais e contra a municipalização da Educação, promovida pela USNA, a mesma dirigente relatou que a atividade do movimento sindical “tem sido alvo de restrições” na região, dando como exemplo a retirada de propaganda contra a municipalização, por parte do município.“Foi precisamente a faixa em protesto contra a municipalização que foi retirada duas vezes a mando da presidente da Câmara de Nisa. Portanto, nós tínhamos de fazer este protesto”, denunciou.Contactada telefonicamente pela Lusa para reagir ao protesto realizado na Praça da República, em Nisa, a presidente da câmara, Idalina Trindade, respondeu por mensagem escrita, refutando as acusações.“Respeitamos a lei e a legalidade democrática em matéria de sindicalismo. Todos os direitos são respeitados, nomeadamente o direito a reunião e a concentração”, lê-se na mensagem.“Na Câmara de Nisa respeitamos e protegemos os trabalhadores, aliás estamos neste momento a requalificar as instalações municipais do hospital velho junto aos Paços do Concelho, num investimento de cerca de 800 mil euros, para conferir dignidade e boas condições de trabalho aos funcionários municipais”, acrescentou a autarca do PS.O sindicalista Helena Neves lamentou ainda que o distrito de Portalegre seja o “campeão” da municipalização no Alentejo, defendendo que a Educação é uma “função social do Estado” e que “deve ser igual para todos”.Para a dirigente, a Educação “não deve depender” das condições financeiras de cada autarquia para o seu desenvolvimento.“A Educação deve ser um espaço de pensamento livre. Ora com executivos destes, como temos o executivo de Nisa, que constantemente constrange a liberdade sindical, nós sabemos aquilo que espera a este espaço que deve ser um espaço de pensamento livre que é a escola e o Agrupamento de Escolas de Nisa”, disse.A coordenadora da USNA acusou ainda a presidente do município de Nisa de “impedir” o contacto com os trabalhadores da autarquia, de “bloquear” a realização de plenários e de efetuar “várias perseguições” a dirigentes sindicais e a trabalhadores da câmara.A ação de protesto contou com a participação de cerca de 100 pessoas, estando também presente o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

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