Cerca de 300 alunos da Escola Básica de Gavião (Portalegre), estão envolvidos num projeto de flexibilidade curricular, cuja disciplina de cidadania e desenvolvimento é um dos pilares, sendo este estabelecimento um dos pioneiros no país nesta área.O projeto arrancou neste estabelecimento de ensino do distrito de Portalegre no ano letivo 2017/2018, os alunos foram integrando o programa de forma faseada, faltando nesta altura integrar o quarto ano, situação que vai ocorrer no ano letivo de 2020/2021.O diretor do Agrupamento de Escolas de Gavião, Paulo Pires, disse à agência Lusa que o projeto encontra-se numa fase de “consolidação” e, além de se querer alcançar melhores resultados com os alunos, o objetivo passa ainda, por exemplo, por dividir o ano letivo em dois períodos, situação que deverá ocorrer no próximo ano, entre outros aspetos inovadores.“Com estes projetos de retirar os alunos das salas de aulas, pura e simplesmente, e levá-los para o terreno, levá-los a ter capacidade de investigar, ter capacidade de trabalhar em grupo e de ter uma intervenção pró-ativa, isso revela-se muito mais motivador para eles”, disse.“Eu penso que nós ainda temos um caminho a percorrer, demos passos muito importantes, com alguma consolidação e muita determinação, e estamos numa fase de consolidação do projeto”, acrescentou.Ao desenvolverem nesta área os denominados Domínios de Autonomia Curricular (DAC), pretende-se que as várias disciplinas que são lecionadas articulem o currículo entre si e os professores, naqueles conteúdos que são comuns, os possam abordar de maneira “articulada e enriquecedora” para os alunos.“Todos dão um episódio e no fim sai o global. Por outro lado, com esta estratégia de disciplina de cidadania de escola acabamos por levar os alunos a trabalhar temas que muitas vezes não podem pela exaustão das disciplinas”, acrescentou.De acordo com Paulo Pires, são selecionados temas que estejam relacionados com a cultura geral, património, meio ambiente, sendo abordados de uma forma “muito mais presente” e “esquematizada” para os alunos.“Os alunos são obrigados a refletir, a fazer trabalhos, exposições, ir ao terreno”, explicou.Também na área da oferta complementar e em DAC os alunos participaram, no ano letivo anterior, num outro projeto, nomeadamente na recriação histórica da comemoração dos 500 anos da atribuição do Foral a Belver.“Nós temos um projeto que está integrado na flexibilidade, que se chama ‘Gavião na grande rota da ciência – G2RC’ e, esse projeto que é desenvolvido com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, tem a grande mais valia de trabalharmos a ciência ativa em sala de aula, mas grande parte dele é realizado fora da sala, nos contextos locais e regionais”, acrescentou.O projeto “Gavião na grande rota da ciência – G2RC” conta ainda com a “formação” de professores e a “construção” de guiões de atuação prática com os alunos no terreno.“No terreno têm trabalhado o ciclo do linho, o ciclo do pão, o ciclo do azeite, o ciclo do vinho, o ciclo da lã, temos trabalhado o rio Tejo, o observatório avifauna que temos numa aldeia e vamos agora iniciar a plantação do linho numa horta”, disse.Além deste projeto, que conta agora na escola com uma “sala do futuro” ligada à ciência e tecnologia, bem como ao desenvolvimento de aprendizagens inovadoras. Em paralelo, aquela escola concorreu ao programa Eramus + para a formação de professores, tendo alguns docentes recebido formação em Espanha e Itália, estando agora projetada uma ação de formação na Finlândia.Além desta formação para professores, a escola prepara-se também para levar a Espanha, Grécia e Itália alguns alunos para troca de experiências e aprendizagem.“Vamos preparar uma candidatura, para iniciar no próximo ano letivo, onde vamos trabalhar o ciclo do vinho como recurso endógeno de quatro regiões que se vão envolver, neste caso nós, uma outra escola da Ilha Terceira (Açores), uma escola Italiana e uma outra espanhola”, disse.
HYT // HBLusa

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