Marcelo Rebelo de Sousa rompeu com a tradição e fez o discurso de Ano Novo em directo e a partir de casa, em Cascais, depois de ter recebido alta hospitalar na sequência de uma operação de urgência a uma hérnia umbilical. O Presidente da República reforçou os aspectos mais marcantes de 2017, um ano “estranho e contraditório”, partilhou os seus desejos e vincou as necessidades do País em 2018.
“Estranho e contraditório ano no mundo, com tão veementes proclamações de paz e abertura económica, e tão preocupantes ameaças de tensão e proteccionismo, pondo à prova a paciência e a sensatez de muitos, e, em particular, do Secretário-Geral António Guterres. Estranho e contraditório ano na Europa, com tão claro crescimento e desejo de recuperação do tempo perdido e tão lenta capacidade de resposta e de reencontro com os europeus. Estranho e contraditório ano, também em Portugal”.
Podemos dizer que o discurso do Presidente da República dividiu 2017, em duas partes, uma positiva e outra negativa, “se o ano de 2017 tivesse terminado a 16 de Junho, poderíamos falar de uma experiência singular só de vitórias”.
“Íamos vivendo, como se de um sonho impossível se tratasse, finanças públicas a estabilizar, banca a consolidar, economia e emprego a crescer, juros e depois dívida pública a reduzir, Europa a declarar o fim do défice excessivo e a confiar ao nosso Ministro das Finanças liderança no Eurogrupo, mercados a atestarem os nossos merecimentos”, disse o presidente vincando a importância em reconhecer também mérito no ciclo governamental anterior e  recordando que estas conquistas colocam agora as “fasquias mais altas” sendo necessária “prudência no futuro”.
Em oposição ao crescimento económico e consolidação financeira o presidente abordou o episódio de Tancos, os incêndios e a seca, os acontecimentos mais pesados e marcantes que Portugal enfrentou no ano passado.
Assim uma das mensagens chaves de Marcelo foi sobre a necessidade de ter “coragem de reinventar o futuro” assegurando que 2018 “tem de ser portanto o ano dessa reinvenção mais do que mera reconstrução. Reinvenção pela descoberta desses vários Portugais, esquecidos”, transmitindo a necessidade dos políticos em Portugal olharem para uma outra cara de Portugal, para o interior do país. “Reinvenção da confiança dos portugueses na sua segurança, que é mais do que estabilidade governativa, finanças sãs, crescente emprego, rendimentos. É ter a certeza de que, nos momentos críticos, as missões essenciais do Estado não falham nem se isentam de responsabilidades”, acrescentou, debruçando-se mais uma vez sobre as tragédias vividas em 2017.
No decorrer do discurso Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda alguns dos acontecimentos que considerou mais importantes do ano, como a morte de Mário Soares ou a visita “histórica” do Papa Francisco a Fátima, não esquecendo os triunfos no festival da eurovisão nem os prémios no turismo.
 

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