Há pouco mais de dois anos, em 5 de Outubro de 2015, fiz orgulhosamente parte do núcleo de fundadores da Associação Portuguesa de Apoio e Reabilitação Sénior de Intervenção Neurológica.
A novel instituição elvense, que passou a ser conhecida pelo acrónimo APARSIN, assumiu-se como um upgrade ao projecto lançado algum tempo antes por um grupo de jovens profissionais do sector da saúde – maioritariamente femininas -, com especialização na área dos cuidados a doentes do foro neurológico.
Depois de uma forte ligação inicial à associação Gota d’Arte, onde iniciou actividade e esteve sediada nos primeiros tempos de vida, a APARSIN ganhou novo fôlego a partir do momento em que a autarquia lhe disponibilizou um espaço nas antigas residências militares da Avenida 14 de Janeiro. É ali, ao lado de outras associações elvenses e da Escola Superior Agrária, que a instituição vem desenvolvendo o seu labor de auxílio a pacientes de AVC, Parkinson e Alzheimer, apoio esse que se estende a cuidadores e lares de idosos.
No entanto, não podemos perder de vista que muita da actividade da equipa multidisciplinar da APARSIN é feita para lá das quatro paredes da sede. A sua essência e expressão passam, sobretudo, pela ida das técnicas às residências dos pacientes com mobilidade limitada, onde efectuam as sessões de fisioterapia, terapia da fala, estimulação cognitiva e outras terapêuticas.
O melhor testemunho sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Associação Portuguesa de Apoio e Reabilitação Sénior de Intervenção Neurológica é transmitido no quotidiano pelos destinatários directos ou indirectos da sua acção. Testemunho esse que, aliás, é visível no carinho que os pacientes, familiares e cuidadores dispensam às profissionais da instituição.
Para assinalar condignamente a passagem deste segundo aniversário de fundação, a APARSIN organizou há uma semana no Centro de Negócios Transfronteiriço o 1.º Congresso Ibérico de Doenças Neurológicas. Conforme se noticia noutra página desta edição do Linhas, a doença de Parkinson foi o tema central da reunião, que juntou cerca de duas centenas de pessoas em torno de um programa com três painéis de oradores e cinco workshops.
Passado, presente e futuro das terapêuticas relacionadas com o Parkinson constituíram o essencial das intervenções de especialistas portugueses e espanhóis na matéria. Destaco, do lado nacional, a presença do neurologista e investigador Joaquim Ferreira e de diversos profissionais pertencentes ao Campus Neurológico Sénior (CNS), um dos mais importantes centros de investigação do sector no nosso país. Já do lado de nuestros hermanos, estiveram em destaque o professor catedrático José Manuel Fuentes, a neurologista Alicia Berenguer e o musicoterapeuta Javier Alcántara.
Para uma associação como a APARSIN, ainda a dar os primeiros passos, é de relevar o facto deste Congresso, além de inédito, ter contado com os apoios da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre, Universidade da Extremadura, Administração Regional de Saúde do Alentejo e até da Junta da Extremadura. Apoios que são simultaneamente incentivo e caução para que a instituição prossiga na senda do que tem vindo a fazer até aqui. E que, ao mesmo tempo, significam a responsabilidade acrescida de fazer cada vez mais e melhor.
Tenho orgulho por fazer parte integrante deste projecto. De o ter visto nascer, ganhar asas, crescer e impor-se. E quando um dia deixar os seus órgãos sociais – porque a vida é feita de ciclos e as instituições têm que se renovar -, sairei com o sentimento de dever cumprido e de, com o meu modesto contributo, ter ajudado uma pequena semente a germinar.
Parabéns, APARSIN! E parabéns à comunidade local por estar ao lado desta causa que é de todos porque, infelizmente, é cada vez maior o número de pessoas afectadas por doenças do foro neurológico, algumas das quais incapacitantes e degenerativas.É caso para dizer: assim sim, APARSIN. Ou talvez ainda melhor: AparSIM!
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