Após as obras de requalificação, que representaram, numa primeira fase, um investimento de 6,1 milhões de euros, com um apoio comunitário de 4,7 milhões, o Forte da Graça espera agora receber “cerca de 100 mil visitantes por ano”.
É essa a estimativa da Autarquia e a convicção de Nuno Mocinha, que adiantou que já há muitas pessoas interessadas em visitar o monumento.
“Existem contactos a esse nível e há inúmeras pessoas que, não só ao longo da obra, mas agora já na fase final, querem constantemente visitar o forte. A obra foi visitada muito pontualmente por grupos organizados durante a sua execução e obviamente que o Forte da Graça tem despertado interesse nos quatro cantos do mundo. Estou convencido que vai ser uma grande atracção âncora de desenvolvimento turístico para Elvas, para toda esta região de fronteira e para o nosso País”, afirmou o autarca.
Segundo Nuno Mocinha, o projecto global do Forte da Graça, incluindo a recuperação e adaptação e a requalificação dos acessos e a musealização, deverá atingir os “7,5 milhões de euros”.
A realização das obras surgiu na sequência da transferência, em 2014, de cerca de 30 prédios militares, situados na cidade, do Estado para o Município, sendo o forte um dos mais emblemáticos.
O protocolo com o Estado estipulou a recuperação e reutilização deste monumento nacional que se encontrava degradado, sendo a cedência por um período de 40 anos e, eventualmente, renovável por outros períodos até perfazer o total de 75 anos.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Elvas, as obras consistiram em recuperar todo o espaço, bem como infraestruturar o monumento com tudo o necessário para o normal funcionamento do mesmo, assim como criar parques de estacionamento para os visitantes, entre eles os que chegam de autocarro, dando também condições para as pessoas com mobilidade reduzida.
No espaço, a Autarquia pretende instalar um Centro Interpretativo do Forte da Graça, bem como outras infraestruturas relacionadas com serviços educativos e com a área do património.
Na vertente educativa, por exemplo, e à semelhança do que já acontece noutros equipamentos municipais, o objectivo é que “as crianças, quer de Elvas, quer de fora do concelho, que queiram visitar o forte sejam recebidas de forma especial e vivam aquilo que é a nossa história, a nossa cultura e o que lhes deixamos para o futuro”.
Para “dinamizar” e “rentabilizar” o Forte da Graça, o monumento poderá ainda “receber casamentos”, assim como “workshops ou seminários de empresas, concertos, exposições ou outros pequenos apontamentos”.

Novas tecnologias dão dinâmica às visitas

As novas tecnologias também estão presentes na dinâmica deste espaço, tendo sido criada uma aplicação móvel, ao dispor de todos e pensada igualmente para as pessoas com mobilidade reduzida, que podem não conseguir visitar todo o monumento, a qual “tem um sistema que alerta os visitantes, por onde vão passando, para alguns pormenores”.
“O forte em si vale pela sua arquitectura e engenharia militar, mas é evidente que teve de ser adaptado aos dias de hoje e daí que teve de ser completamente infra-estruturado, não só com a água, não só com a electricidade, mas também com os meios que nos permitissem ter as novas tecnologias ao serviço do forte. Assim, foi montada também a videovigilância e temos igualmente um sistema de aplicações móveis que permitem que a pessoa, mesmo de forma natural, sem ter qualquer guia, possa ir sendo guiada pelo forte”, disse Nuno Mocinha.
“Para além da sinalética, existem aplicações que nos vão alertando para determinados aspectos, assim como a realidade aumentada e um site que está disponível para ir contando ao nosso visitante a história que este forte teve, não só como fortificação em si, mas também como presídio e, ultimamente, o estado de abandono que tinha e, em boa hora, o Estado português fez um acordo com a Câmara Municipal de Elvas e estamos na presença de um elemento importantíssimo, classificado de Património Mundial, que vai orgulhar, estou seguro, todos os elvenses, todos os portugueses e o próprio mundo”, acrescentou.

Recuperação envolveu mais de 200 pessoas

De acordo com a Autarquia, mais de 200 pessoas trabalharam na requalificação do Forte da Graça, nomeadamente na recuperação da Casa do Governador, o ponto mais alto do monumento, e nas Casas dos Oficiais.
Durante as obras foram ainda repostas todas as cores originais do forte e recuperadas as estruturas, como a Cisterna, a Prisão, as Galerias de Tiro e a Capela, onde foram descobertos frescos do século XIX, também alvo de intervenção.
Recorde-se que o Forte da Graça pode ser visitado gratuitamente até ao final do mês de Janeiro de 2016.
“A fortificação está ligada intimamente à história da nossa cidade. O dia da nossa cidade comemora-se a 14 de Janeiro e, normalmente, o mês de Janeiro é um mês que é dedicado às comemorações do 14 de Janeiro. Daí que faz todo o sentido que este forte fique disponível a quem o quiser visitar também de forma gratuita durante o mês de Janeiro”, explicou Nuno Mocinha.

“Uma mais-valia para a cidade”

O “Linhas” ouviu algumas pessoas que estiveram ligadas ao Forte da Graça, as quais foram unânimes em considerar que a recuperação do monumento é “uma mais-valia” para a cidade.
“Conheci o Forte da Graça como estava antigamente e estou a ver que está muito bonito. Obras como esta são sempre uma mais-valia para a nossa cidade”, disse Manuel Santos, que prestou serviço no forte.
De acordo com António Granado, que também frequentou o Forte da Graça “muito tempo”, pois foi lá sacristão, a requalificação do monumento “é uma coisa muito importante para todos nós e para a cidade em especial”.
“Eu era o sacristão que lá ia. Era o único civil que andava num carro militar nessa altura. O padre ia lá celebrar a missa todos os domingos e eu ia ajudar. À tarde ainda convivia com reclusos, jogando ténis e outros jogos”, contou.
António Piçarra, que foi sargento no Forte da Graça, também lembrou alguns pormenores do serviço que aí prestou em 1965.
“Tinha de chamar os presos muitas vezes por dia. Era de manhã, era à hora de almoço para irem para o refeitório, era às duas da tarde, depois eram chamados para irem ao barril – no Verão sete vezes e no Inverno cinco – e finalmente era à noite para os recolher e meter dentro das secções. Era muito penoso. Também tínhamos de ler as cartas que vinham e as que eles mandavam, pois não podiam dizer aquilo que queriam. Chegámos a ter lá 600 presos, pelo que já se pode ver o trabalho que isso dava”, recordou.
Já António Ventura, que é vice-presidente da Liga dos Amigos do Museu Militar de Elvas, defendeu que a população de Elvas deve ser incentivada “para que se lembre do que foram as épocas antigas quando tínhamos aqui toda a guarnição militar”. “É importante mostrar à cidade o que foi a vida militar de antigamente”, concluiu.
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