Quatro moções de rejeição, apesar de apenas a primeira ter sido apresentada a votação, fizeram tombar o Governo da coligação PSD/PP. A moção apresentada pelo PS mereceu 123 votos a favor (107 contra). BE, PCP e PEV tinham apresentado iniciativas idênticas, mas que não chegaram a ser submetidas a votação.

Num dia dominado pelo acordo celebrado por PS, BE, PCP e PEV, o “jogo” político foi devolvido a Belém, cabendo ao Presidente da República decidir o que se segue à decisão da Assembleia da República e à consequente queda do governo. A Constituição determina que a rejeição do programa do Governo implica a demissão do executivo, que ficará em gestão até à posse de um novo Governo.

“Já repararam que deixou de se falar na hipótese de deputados ‘rebeldes’ do PS violarem o sentido de voto do Grupo para salvar o governo da direita. Que outra bóia de salvação irá a direita moribunda inventar até ao pôr-do-sol, hora prevista para a execução da sentença?” – Capoulas Santos (PS), no Facebook, horas antes da votação na AR

No “calor” da jornada parlamentar, direita e esquerda esgrimiram argumentos sobre a legitimidade de aprovar (ou rejeitar) o governo proposto por Pedro Passos Coelho. Com o “chumbo”, registaram-se interpretações diferentes – “Inaugura-se um novo capítulo na democracia portuguesa” (Luís Moreira Testa, deputado socialista eleito por Portalegre) ou “Escolheu o que é matematicamente possível, mas o que é politicamente ilegítimo” (Paulo Portas, vice-primeiro-ministro).

“Um conselho de graça. Nos próximos meses aproveitem o despesismo do PS, mas guardem-no, porque o FMI está lá…está aqui” – Tiago Abreu (PP) no Facebook

E nem só no Parlamento, direita e esquerda esgrimiram argumentos. Também na rua, com duas manifestações, ficou espelhada a divisão do País, entre apoiantes do executivo da coligação PSD/PP e defensores de novo governo e nova política.

Foi uma tarde quente, a fazer lembrar outros tempos. No momento em que os deputados regressaram aos trabalhos, no segundo dia de sessões plenárias para debate e votação do programa de Governo, centenas de pessoas estavam concentradas em frente à Assembleia da República em protesto contra as moções de rejeição de PS, BE, PCP e PEV. Alguns cartazes (“Quem ganhou? Democracia não é hipocrisia” ou “moção de rejeição/traição à população”) mostram a razão de ser desta acção de protesto organizada pelo líder do CDS de Monforte, Mário Gonçalves.

Depois das 15h00, uma outra manifestação, convocada pela CGTP. “Vamos consumar a derrota da coligação PSD/CDS e exigir respostas para as reivindicações dos trabalhadores”, pode ler-se numa nota da CGTP na internet.

E a contenda estendeu-se às redes sociais. No Facebook, o PSD Évora partilhou ‘posts’, entre os quais um dos mais sugestivos da tarde de terça-feira: “A utilização de meios públicos pra fins partidários continua e sempre pela mão do PCP e do PS. Autocarros das autarquias de Évora, Vila Viçosa, Cuba, Montemor-o-Novo entre outros, já estão escondidos longe do local das manifestações”.

Do outro lado, a deputada socialista Isabel Moreira escreveu no Facebook: “A manifestação pró- PAF está muito conservadora. Fui agora mesmo agredida fisicamente ao som de gritos colectivos – morre, cabra”.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Linhas de Elvas, a distribuir a partir de quinta-feira

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