Cidade de duas culturas, Olivença faz gala de partilhar raízes portuguesas e espanholas e anuncia para amanhã, sábado, um casamento celebrado em duas línguas e em duas cidades. Primeiro, a cerimónia civil no Convento de São João de Deus, em Olivença, depois a boda no convento com o mesmo nome, mas em Elvas.

“Espanhol e português. Português e espanhol. Estas são as duas línguas que se utilizarão na cerimónia de casamento civil de Luz Milagros Moreno Guzmán, oriunda de Arroyo de la Luz, e Guillermo Píriz Mira, natural de Olivença, que se celebrará no Sábado 4 de Julho pelas 19h30 no Convento de São João de Deus da nossa localidade. Também no Convento São João de Deus mas de Elvas se celebrará o copo-d'água. É a primeira vez que em Olivença se realiza uma boda bilingue, acto que será proferido na língua de Cervantes pelo Presidente da Câmara da localidade, Manuel González Andrade, e na de Camões pelo professor de português da Universidade Popular, Eduardo Machado”, anuncia a Além Guadiana, associação que se dedica à defesa da cultura portuguesa.

Com sede na “cidade das duas culturas”, a associação sustenta que Olivença tem uma identidade única no contexto peninsular pela sua história partilhada por Portugal e Espanha. “Isso é algo que se respira ao caminhar pelas suas ruas, nas arquitecturas e espaços urbanos, nas tradições ou na sua toponímia. Precisamente, nos últimos anos tem havido um renascimento da cultura portuguesa e desde a cidadania e as instituições tem-se fomentado o cunho do biculturalismo através da aprendizagem do português, a valorização da herança lusitana e da aproximação cultural ao mundo lusófono. Guillermo é exemplo disso, sendo um dos primeiros oliventinos que recentemente adquiriu a dupla nacionalidade. Por sua vez, Luz Milagros, cacerenha mas também oliventina, mostra-se cativada com esta cidade pela convivência enriquecedora do que é hispânico e luso”, explica a Além Guadiana em nota envida às redacções.

O texto do casamento constará de um poema e as leituras serão acompanhadas com violoncelo. A cerimónia será amenizada pelo coro Ad Libitum, de Mérida, cantando quatro peças: uma em alemão, outra em espanhol e duas em inglês. Perante os 120 convidados, os noivos cantarão uma peça em português. E, como curiosidade, as imagens da cerimónia serão captadas por um tailandês residente na Austrália.

O convento que acolherá a celebração resume a história ímpar da localidade. Iniciada a sua construção no século XVI, alojou freiras clarissas e foi convento dos hospitaleiros de São João de Deus. Já em época espanhola, foi utilizado como quartel de carabineiros e posteriormente da Guardia Civil antes de cair ao abandono. Após várias reabilitações recentes foi Escola Regional de Arte Dramática e Centro de Recepção de Visitantes do Lago de Alqueva.

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