Foi no ano de 1965, que com o apoio e incentivo de dois grandes aficionados locais José Jacinto Branco e Ilídio Tabuleiros, se juntou um grupo de rapaziada da terra e se criou o Grupo de Forcados Amadores de São Manços. Passado meio século é tempo de comemorar uma vida preenchida de histórias e grandes momentos levados a cabo por este prestigioso Grupo de Forcados Alentejano; memória perpetuada  e reconhecida com a inauguração de uma estátua na terra que lhe deu o nome.

José Jacinto Branco; homem de honra e um dos maiores e mais prestigiados aficionados, levou a sua aficion ao extremo e ao ponto, de construir a sua própria praça de toiros; a de São Manços. Ironia do destino, passado este meio século é hoje Joaquim Branco seu neto, o cabo do Grupo e, que tem precisamente os mesmos anos de vida que tem a praça; trinta e um. Em dia de festa,  de emoções e de recordações  fardaram-se antigos e actuais forcados. 
Seis Cavaleiros para a corrida comemorativa das bodas de ouro;  cabendo a Tito Semedo abrir a tarde e depois de brindar aos antigos cabos do grupo teve uma lide interessante sempre a vir a mais e terminando em bom plano . Nuno Leão executou com valentia e saber a primeira pega da tarde à primeira tentativa. Volta para cavaleiro e forcado, com chamada dos antigos cabos aos médios. 
Ana Baptista brindou também aos forcados e a António Maria Brito Paes. Como vem sendo hábito nesta cavaleira toda a sua lide foi feita com a mesma montada e cumpriu a ferragem da ordem sem grandes alardes.  O retirado Nuno Pitéu executou sem problemas a segunda pega da tarde à primeira tentativa. 
Cavaleira e forcado foram premiados com volta. 
António Maria Brito Paes reapareceu nesta corrida depois de prolongada pausa devido a lesão. Brindou a Joaquim Branco e perante um toiro com pouca cara e que descaía para tábuas desde o início da lide; lidou com correcção mas, faltou a emoção que o toiro não tinha;  talvez por isso o cavaleiro pediu música no segundo curto;  animou um pouco a coisa, vindo a terminar a actuação com nota positiva.
Francisco Alexandre, com cinquenta e nove anos de idade, executou a terceira pega da tarde à segunda tentativa a recordar velhos tempos onde foi um dos mais valentes e destemidos forcados e, pelos vistos continua. ..
Volta para os dois artistas. Francisco Alexandre deu segunda volta a pedido, e fortemente aplaudida pelo público. 
No intervalo foi prestada homenagem a José Jacinto Branco onde se ouviu emotivo texto que elucidou bem a vida deste grande homem com: “uma vida dedicada à causa tauromáquica”.
João Moura  Caetano citou de praça à praça nos  compridos e cravou exemplarmente nos médios dois bons ferros compridos;  com o Xispa bregou com classe e emoção numa lide que de inicio pouco chegou ao público terminando este por se render ao toureio de Caetano e que terminou com o respeitável a pedir mais; acedeu o de Monforte e deixou um grande ferro a terminar cravado nos médios. 
Joaquim Branco brindou ao céu;  certamente à memória de seu avô Jacinto e dos forcados do grupo já falecidos;  não teve a sorte do seu lado e saiu lesionado no ombro na primeira tentativa;  foi dobrado por João Fortunato que executou à primeira tentativa uma rija pega. Marcos Bastinhas dobrou-se com o primeiro e levou-o na garupa com emoção,  dois compridos de boa nota; numa lide brindada ao cabo fundador Francisco Pereira , o toureiro de Elvas impôs o seu toureio alegre e vibrante perante um sério e bem apresentado toiro;  o público exigiu-lhe o par de bandarilhas a que Marcos acedeu e terminou a actuação em plano de triunfo com um par cravado em terrenos de grande compromisso;  apeou-se da montada no final da lide e recebeu grandes aplausos do público que preenchia com três quartos as bancadas. Foi com um silêncio “maestrante” que Manuel Vieira executou a quinta pega à primeira tentativa. Cavaleiro e forcado deram volta acompanhados do ganadeiro. 
Tiago Carreiras recebeu à portagaiola o que encerrou a tarde; uma lide com garra do cavaleiro da Casa Branca ; com emotivos momentos de toureio;  o terceiro curto cravado com o famoso Quirino;  terminando a lide com um grande ferro a piton contrário. O veterano Pedro Fonseca brindou a sua pega , que de forma rija executou à segunda tentativa a José Conceição ; antigo forcado de São Manços que continua a sofrer na pele as graves mazelas de uma infeliz colhida nesta mesma praça.
Bom jogo e bem apresentados estiveram os toiros da Ganadaria dos Herdeiros de António Charrua. Numa agradável tarde de toiros que, nem apesar de ter demorado mais de três horas, conseguiu fazer com que o público se aborrecesse.

Texto: Herlander Coutinho

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